Esko: O custo não é o maior desafio no packaging

O custo não é o maior desafio no packaging.

Tarifas, materiais, energia, mão de obra… sim, tudo está a aumentar. Mas focar-se apenas no controlo de custos é ignorar a verdadeira mudança.

A questão está no talento digital.

No seu mais recente artigo, Jan De Roeck explica porque a próxima vantagem competitiva surge da combinação entre tecnologia e uma nova geração de profissionais nativos digitais.

Escrito por Jan De Roeck
Diretor de Marketing da Esko

Seria um eufemismo dizer que vivemos tempos turbulentos. Tensões geopolíticas, volatilidade económica e o aumento generalizado dos custos são apenas alguns exemplos que nos vêm imediatamente à mente.

Para muitos transformadores de embalagens, esta combinação parece um forte sinal para parar, adiar investimentos ou simplesmente “esperar para ver”. No entanto, a história – e a experiência adquirida ao longo de décadas na indústria – mostram-nos algo diferente: é precisamente em períodos de incerteza que o progresso estratégico se torna mais importante.

As empresas que saem mais fortes de períodos como este não são aquelas que ficam paralisadas. São aquelas que continuam a investir – não de forma imprudente, mas de forma consciente – em equipamentos, tecnologia e pessoas.

O objetivo não é reagir emocionalmente ao medo ou às manchetes do momento, mas alinhar as decisões com as tendências estruturais de longo prazo que estão a moldar o setor.

 

A Pressão dos Custos é Real – e Estrutural

Sejamos honestos sobre a origem da pressão dos custos para os transformadores. Existem quatro grandes fatores, e nenhum deles é uma inconveniência temporária.

As políticas fiscais e as tarifas comerciais são o primeiro fator. Os governos utilizam impostos e tarifas para proteger as indústrias nacionais, corrigir desequilíbrios comerciais ou gerar receitas.

Para as empresas individuais, existe muito pouca margem de influência neste contexto. As tarifas aumentam o custo dos bens e matérias-primas importados, reduzem as margens e dificultam a competitividade global.

Na prática, tornam-se parte integrante do custo dos produtos e do próprio custo de operar numa determinada região. A capacidade de recuperar esses custos depende fortemente da dinâmica dos mercados locais e das regulamentações em vigor.

Os custos das matérias-primas constituem o segundo fator e continuam sob forte pressão. A guerra no Irão tem um impacto imediato na disponibilidade e no custo dos substratos derivados do petróleo.

Ao mesmo tempo, a indústria enfrenta uma escassez de materiais reciclados num mundo que ainda não concluiu a transição para substratos renováveis. As ambições em matéria de sustentabilidade são elevadas, mas a cadeia de abastecimento ainda não está preparada para responder a essa procura. Essa diferença tem um custo, agravado pelo conflito no Estreito de Ormuz.

Os custos energéticos representam o terceiro pilar. As energias renováveis estão a crescer, mas ainda não conseguem satisfazer totalmente a procura industrial.

Paralelamente, o consumo de eletricidade aumenta rapidamente, impulsionado pelos centros de dados de elevado consumo energético e pela eletrificação da mobilidade. Isto cria desequilíbrios estruturais no mercado da energia. Se adicionarmos as tensões geopolíticas à equação, torna-se evidente que o custo da energia não é um fenómeno temporário. É uma realidade de longo prazo.

Os custos laborais constituem o quarto fator – e, possivelmente, o mais complexo. A geração dos baby boomers permanece ativa no mercado de trabalho durante mais tempo, trazendo experiência e estabilidade, mas também custos salariais e encargos sociais mais elevados à medida que se aproxima da reforma. Em simultâneo, continua a ser difícil atrair a Geração Z para o setor industrial.

Fazer o Mesmo Não Produzirá Resultados Diferentes

Perante estes fatores de pressão, as otimizações incrementais já não são suficientes. Para crescer de forma sustentável e rentável, é necessário fazer as coisas de forma fundamentalmente diferente.

A automação, a robotização e a inteligência artificial têm, sem dúvida, um papel importante a desempenhar. Ajudam-nos a ser mais eficientes, reduzir desperdícios e aumentar a consistência dos processos.

No entanto, a embalagem continua a ser uma indústria transformadora. A IA, por si só, não opera uma máquina de impressão. Os robôs, por si só, não resolvem questões de variabilidade, criatividade ou tomada de decisões complexas. A tecnologia é essencial, mas não substitui a complexidade nem o julgamento humano.

Porque é que a Geração Z é Importante — e Porque Continua a Ser Difícil Atraí-la

À medida que a pressão dos custos aumenta e a tecnologia, por si só, se revela insuficiente, o talento torna-se o verdadeiro fator diferenciador.

Uma das oportunidades mais impactantes passa por atrair mais jovens talentos digitais para as operações de embalagem. A Geração Z possui uma familiaridade natural com software na cloud, dados, ferramentas de automação e fluxos de trabalho digitais. Estas são precisamente as competências necessárias para acelerar a transformação digital e melhorar a eficiência ao longo de toda a cadeia de valor.

E, no entanto, atraí-los continua a ser um desafio.

Parte do problema está na perceção. Os setores da embalagem, impressão e transformação continuam frequentemente a ser vistos como indústrias tradicionais, mecânicas e até ultrapassadas. Esta imagem contrasta com a forma como as gerações mais jovens se veem: digitalmente competentes, orientadas por propósito e interessadas em trabalhar com ferramentas modernas e sistemas conectados, mais do que apenas com máquinas.

Ao mesmo tempo, as expectativas mudaram. O salário continua a ser importante, mas já não é suficiente por si só. A Geração Z procura trabalho com significado, impacto visível, aprendizagem contínua e ambientes que reflitam a forma como já trabalha no dia a dia — software intuitivo, fluxos de trabalho conectados e decisões baseadas em dados.

Quando encontram ambientes produtivos dependentes de processos manuais, sistemas desconectados e conhecimento informal transmitido de pessoa para pessoa, a diferença entre expectativa e realidade torna-se imediatamente evidente.

Essa diferença representa um desafio, mas também uma oportunidade.

As Competências Digitais que a Geração Z Leva para o Chão de Fábrica

Esta geração traz precisamente as capacidades de que os transformadores necessitam para se manterem competitivos perante o aumento dos custos.

A Geração Z é a primeira geração a crescer totalmente num ambiente digital. Mais importante ainda, aplica essa mentalidade de forma prática. Questiona processos manuais, procura oportunidades para ligar sistemas e espera que os fluxos de trabalho sejam automatizados e orientados por dados por defeito.

Num ambiente de produção de embalagens, isso traduz-se diretamente em melhorias na automação de fluxos de trabalho, integração com sistemas MIS, controlo de qualidade digital e planeamento da produção.

Em vez de se adaptarem às ineficiências, desafiam-nas. E quando as margens são reduzidas, essa mentalidade pode fazer a diferença entre crescer e estagnar.

A Transformação Digital Também é uma Estratégia de Talento

É aqui que a transformação digital e a estratégia de recursos humanos se cruzam.

Nos próximos anos, o desafio demográfico irá intensificar-se. Os custos associados a uma força de trabalho envelhecida continuarão a aumentar, enquanto a disponibilidade de mão de obra qualificada diminuirá.

A única forma sustentável de avançar passa por compensar essa pressão através de ganhos de produtividade e eficiência. E esses ganhos virão de uma força de trabalho mais jovem, capacitada por ferramentas digitais, automação e inteligência artificial.

Não se trata de substituir a experiência pela tecnologia. Precisamos de mostrar aos jovens profissionais que a indústria da embalagem já não se resume a tinta nas mãos. Trata-se de sistemas inteligentes, fluxos de trabalho conectados, otimização da sustentabilidade e tomada de decisões baseada em dados.

Quando a Geração Z percebe que as suas competências em digitalização, IA e automação podem gerar impacto real, a indústria torna-se muito mais atrativa.

O Progresso é uma Escolha Estratégica

A incerteza não vai desaparecer. A pressão dos custos também não irá diminuir por magia.

Os transformadores que continuam a investir em tecnologia, automação e pessoas durante períodos de incerteza constroem uma vantagem estrutural. Tornam-se mais resilientes, mais eficientes e mais preparados para enfrentar qualquer desafio futuro.

Em momentos como estes, é precisamente essa mentalidade que faz toda a diferença.

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